Traqueostomia infantil: conheça o procedimento que salva a respiração das crianças

29/07/26

A traqueostomia em crianças é um procedimento cirúrgico que costuma gerar muitas dúvidas entre pais e responsáveis. Embora seja indicada apenas em situações específicas, ela pode ser fundamental para garantir uma respiração segura em recém-nascidos e crianças com obstruções das vias aéreas ou necessidade de suporte ventilatório prolongado.

De forma simples, a cirurgia cria uma abertura na traqueia para a colocação de uma cânula, popularmente conhecida como "tubo de respiração". Esse dispositivo permite que o ar chegue diretamente aos pulmões, facilitando a ventilação e melhorando a oxigenação do organismo. 

Venha entender como funciona a traqueostomia pediátrica, quando ela é indicada e se o procedimento é permanente.

O que é traqueostomia e para que serve?

A traqueostomia é uma cirurgia que cria uma abertura na parte anterior do pescoço, diretamente na traqueia, para permitir a passagem do ar até os pulmões. Nessa abertura é posicionada uma cânula, formando uma via respiratória alternativa quando a criança não consegue respirar adequadamente pelas vias aéreas superiores.

Além de manter a respiração, a traqueostomia infantil também facilita a aspiração de secreções pulmonares e oferece um suporte respiratório mais confortável para pacientes que precisam permanecer conectados ao ventilador mecânico por períodos prolongados.

Entre as principais funções da traqueostomia estão:

  • Desobstruir as vias aéreas superiores;
  • Facilitar a ventilação mecânica prolongada;
  • Permitir a remoção de secreções respiratórias;
  • Reduzir complicações associadas à intubação prolongada.

Como é o procedimento para criar a traqueostomia?

A traqueostomia é considerada um procedimento de baixa complexidade quando realizada por uma equipe especializada em cirurgia pediátrica. A cirurgia costuma durar cerca de 40 minutos e, na maioria dos casos, é realizada sob anestesia geral em crianças.

Durante o procedimento, o cirurgião faz uma pequena incisão no pescoço até alcançar a traqueia. Em seguida, é criada uma abertura na estrutura para a introdução da cânula, que mantém a via respiratória aberta e pode ser usada tanto em casos de obstrução das vias aéreas quanto quando há necessidade de ventilação mecânica prolongada.

Se a criança tem uma doença neurológica crônica, paralisia cerebral grave ou fraqueza muscular extrema que a impede de respirar sozinha, ela precisará de suporte artificial contínuo. Desse modo, o tubo do respirador artificial (ventilador mecânico) será conectado diretamente na ponta dessa cânula inserida no pescoço. 

Após a cirurgia, a criança permanece em observação para que a equipe médica acompanhe sua adaptação. Os pais também recebem orientações sobre os cuidados com a cânula, a higiene do local e a aspiração de secreções quando necessário.

Quando a traqueostomia em crianças é indicada?

A indicação da traqueostomia em crianças ocorre quando existe dificuldade importante para a passagem do ar ou quando a criança necessita de ventilação mecânica por tempo prolongado. Cada caso é avaliado individualmente pela equipe médica, considerando a condição clínica e as possibilidades de tratamento.

Entre as principais indicações estão:

  • Malformações congênitas das vias aéreas, incluindo síndromes craniofaciais como Pierre Robin, Treacher Collins e Crouzon, que podem dificultar a respiração;
  • Doenças neurológicas ou neuromusculares, como paralisia cerebral grave e síndrome de hipoventilação central congênita, que comprometem o controle da respiração;
  • Displasia broncopulmonar, uma doença pulmonar crônica comum em bebês prematuros que podem depender de ventilação mecânica por longos períodos;
  • Traumatismos ou obstruções das vias aéreas, provocados por tumores, infecções, cicatrizes ou outras alterações anatômicas;
  • Intubação prolongada, quando a permanência do tubo pela boca deixa de ser a alternativa mais segura.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), aproximadamente 0,5% a 2% das crianças que permanecem intubadas por mais de 14 dias podem necessitar de uma traqueostomia para manter uma via aérea segura e estável.

A traqueostomia infantil é permanente?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre os pais. Na maioria dos casos, a traqueostomia não é definitiva. O tempo de permanência da cânula depende da condição que levou à indicação do procedimento e da evolução clínica da criança.

Quando a dificuldade respiratória é temporária, como após um trauma ou uma cirurgia complexa da face e do crânio, a traqueostomia pode ser removida assim que a criança recuperar a capacidade de respirar normalmente pelas vias aéreas naturais.

Já em crianças com doenças neurológicas graves, alterações neuromusculares ou necessidade permanente de suporte ventilatório, a cânula pode permanecer por um período mais longo. 

A retirada só acontece quando a equipe médica confirma, por meio de avaliações periódicas, que a respiração pode ser mantida com segurança sem o dispositivo.

Conte com um cirurgião pediátrico experiente

A indicação da traqueostomia exige uma avaliação criteriosa e individualizada. Mais do que realizar a cirurgia, é fundamental que a criança seja acompanhada por uma equipe especializada antes, durante e após o procedimento, garantindo segurança em todas as etapas do tratamento.

Com mais de uma década de experiência em cirurgias pediátricas, acompanho crianças com diferentes condições cirúrgicas, incluindo doenças que podem exigir traqueostomia e suporte respiratório especializado. 

Se seu filho ou filha recebeu essa indicação, agende uma consulta com minha equipe e conte com um atendimento acolhedor do início ao fim do procedimento.

Felippe Flausino

Dr. Felippe Flausino

MD, M.Sc. Cirurgião Pediátrico (CRM19161 RQE13289) e membro da Associação Brasileira de Cirurgia. Doutorando em Ciências Médicas pela UFSC