Como é a cirurgia da atresia intestinal?

5/03/26

Receber o diagnóstico de atresia intestinal logo após o nascimento do bebê – ou ainda durante a gestação – costuma ser um momento de muita apreensão para a família. É natural surgirem dúvidas, medos e a necessidade de entender rapidamente o que está acontecendo com o bebê.

A atresia intestinal é uma malformação congênita que impede a passagem normal de alimentos e secreções pelo intestino. Por isso, a cirurgia pediátrica é essencial para garantir a sobrevivência do recém-nascido e permitir um desenvolvimento saudável.

Compreender o que é essa condição, como o diagnóstico é feito e de que forma funciona o tratamento cirúrgico ajuda os pais a atravessarem esse período com mais segurança e tranquilidade.

A seguir, explico tudo o que você precisa saber sobre a atresia intestinal e o cuidado cirúrgico neonatal. Continue a leitura!

O que é atresia intestinal?

A atresia intestinal acontece quando uma parte do intestino do bebê não se forma completamente durante a gestação. É uma malformação congênita, ou seja, já está presente desde o nascimento.

De forma simples, o intestino – que deveria funcionar como um tubo contínuo – apresenta um bloqueio ou interrupção, impedindo a passagem normal dos alimentos e secreções. Em alguns bebês, esse bloqueio envolve apenas um pequeno segmento. Em outros casos, pode haver a ausência de uma parte maior do intestino.

Quando isso acontece, o conteúdo intestinal não consegue avançar, levando ao acúmulo de líquidos e gases. Esse processo provoca sinais de obstrução logo nas primeiras horas ou dias de vida, o que torna a avaliação médica imediata fundamental.

A atresia intestinal pode afetar diferentes regiões do intestino, mas é mais comum no intestino delgado, especialmente no jejuno (atresia jejunal) e no íleo (atresia ileal). Estima-se que a condição ocorra em cerca de 1 a cada 1.000 a 3.000 nascimentos.

Como é feito o diagnóstico da atresia intestinal?

O diagnóstico da atresia intestinal pode acontecer ainda durante a gestação ou logo após o nascimento do bebê.

Nos exames pré-natal, a suspeita surge geralmente durante a ultrassonografia obstétrica, quando o médico identifica sinais como o chamado “sinal da dupla bolha” ou a presença de polidrâmnio, que é o excesso de líquido amniótico.

Esses achados indicam que o bebê pode estar com dificuldade para engolir ou absorver o líquido amniótico, algo comum quando existe uma obstrução intestinal. A partir dessa suspeita, o acompanhamento da gestação se torna mais próximo, com exames frequentes para garantir o melhor preparo possível para o nascimento.

Após o parto, os sinais costumam aparecer nas primeiras horas de vida. Os mais comuns são vômitos esverdeados, aumento do volume do abdômen e a ausência de evacuação. Exames de imagem, como a radiografia abdominal, ajudam a confirmar o diagnóstico e a identificar exatamente onde está a obstrução.

Tratamento da atresia intestinal

O tratamento da atresia intestinal é cirúrgico e costuma ser realizado logo após o nascimento, assim que o bebê esteja clinicamente estável. Não é necessário realizar cirurgia ainda durante a gestação, mas quando o diagnóstico é feito no pré-natal, o planejamento do parto e do cuidado neonatal faz toda a diferença.

Após o nascimento, o recém-nascido é avaliado por uma equipe especializada e, na maioria dos casos, encaminhado para a UTI neonatal. Antes da cirurgia, são adotadas medidas importantes para estabilizar o bebê, como a colocação de uma sonda para aliviar a distensão abdominal e a administração de líquidos pela veia.

Com a correção cirúrgica adequada e acompanhamento especializado, o prognóstico costuma ser muito positivo. A maioria dos bebês apresenta bom crescimento e desenvolvimento ao longo da infância, especialmente quando o diagnóstico e o tratamento acontecem de forma precoce.

Como é a cirurgia da atresia intestinal?

A cirurgia da atresia intestinal geralmente é realizada nos primeiros dias de vida, muitas vezes entre 24 e 48 horas após o parto. O objetivo do procedimento é remover a parte do intestino que não se formou corretamente e reconectar os segmentos saudáveis, permitindo que o intestino volte a funcionar normalmente.

Durante a cirurgia, o cirurgião pediátrico avalia com cuidado a extensão da atresia. Em casos mais simples, a correção pode ser feita em um único procedimento. Já em situações mais complexas, quando áreas maiores do intestino estão comprometidas, pode ser necessário um tratamento em etapas, com mais de uma cirurgia ao longo do processo.

Em alguns casos, principalmente quando o intestino grosso está envolvido, pode ser indicada a realização de uma ostomia temporária, como a colostomia. Essa abertura na parede abdominal permite a eliminação do conteúdo intestinal enquanto o intestino cicatriza adequadamente. Quando tudo evolui bem, essa ostomia é revertida posteriormente.

Pós-operatório da cirurgia de correção da atresia intestinal

Após a cirurgia, o bebê permanece internado na UTI neonatal para acompanhamento próximo. Nesse período, é comum o uso de uma sonda para drenar líquidos e gases, enquanto o intestino se recupera e começa a retomar suas funções.

A alimentação, inicialmente, é feita pela veia. Aos poucos, conforme o intestino apresenta sinais de funcionamento adequado, pequenas quantidades de leite materno ou fórmula são introduzidas de forma gradual e cuidadosamente monitorada.

O tempo de recuperação varia de acordo com a extensão da atresia e a resposta individual de cada bebê, podendo levar dias ou algumas semanas. Com acompanhamento especializado, a maioria das crianças evolui bem e recebe alta hospitalar com orientações claras para os cuidados em casa.

Cirurgia pediátrica com o Dr. Felippe Flausino

O tratamento da atresia intestinal exige experiência, precisão cirúrgica e acompanhamento cuidadoso desde os primeiros dias de vida.

Se o seu bebê recebeu o diagnóstico de atresia intestinal, ou se há suspeita da condição, buscar avaliação com um cirurgião pediátrico experiente é fundamental para garantir um tratamento seguro e tranquilo.

Aqui, você encontra um cuidado individualizado, com atenção integral ao bebê e à família, desde o planejamento da cirurgia até o pós-operatório. Agende sua consulta e conte com um acompanhamento acolhedor em todas as etapas do tratamento.

Felippe Flausino

Dr. Felippe Flausino

MD, M.Sc. Cirurgião Pediátrico (CRM19161 RQE13289) e membro da Associação Brasileira de Cirurgia. Doutorando em Ciências Médicas pela UFSC