Cirurgia de atresia de esôfago: como é o procedimento

26/08/25

A cirurgia de atresia de esôfago é um procedimento fundamental para corrigir essa malformação congênita rara que impede o bebê de se alimentar normalmente após o nascimento. Trata-se de uma condição delicada, que exige diagnóstico precoce, estrutura hospitalar adequada e uma equipe especializada, liderada por um cirurgião pediátrico experiente.

Ao longo deste artigo, você vai entender o que é a atresia esofágica, seu diagnóstico e como é feita a correção cirúrgica de atresia de esôfago. Também entenderá como é conduzido o pós-operatório e a importância do acompanhamento com o cirurgião pediátrico para garantir o desenvolvimento saudável do bebê. Continue a leitura!

O que é atresia de esôfago?

A atresia de esôfago é uma malformação congênita rara, caracterizada pela interrupção ou ausência da continuidade do esôfago, canal que conecta a boca ao estômago. Isso impede que o alimento ingerido pelo bebê chegue ao estômago, o que torna a alimentação adequada impossível sem intervenção médica.

Na maioria dos casos, a atresia de esôfago vem acompanhada de uma fístula traqueoesofágica, que nada mais é do que uma passagem "errada" entre o esôfago (que leva os alimentos ao estômago) e a traqueia (por onde passa o ar para os pulmões). Por causa dessa comunicação anormal, o leite que o bebê engole pode acabar indo para os pulmões em vez do estômago, o que aumenta bastante o risco de infecções respiratórias, como a pneumonia aspirativa.

De uma maneira prática pode-se dividir em dois tipos principais de atresia de esôfago:

  • Tipo A (sem fístula): o esôfago termina em dois segmentos sem comunicação com a traqueia.
  • Tipo com fístula traqueoesofágica: além da interrupção do esôfago, existe uma ligação anormal com a traqueia.

Em alguns casos, a atresia esofágica pode ser detectada ainda durante a gestação, por meio de exames pré-natal de imagem como o ultrassom morfológico. No entanto, isso nem sempre é possível. Por essa razão, muitos bebês só recebem o diagnóstico após o nascimento – geralmente ainda na sala de parto ou quando começam a apresentar sintomas como dificuldade para mamar, salivação excessiva e engasgos frequentes.

Quando há suspeita de atresia de esôfago, o ideal é que um cirurgião pediátrico seja consultado o quanto antes. Esse profissional deve acompanhar o parto para que possa intervir rapidamente e garantir os cuidados necessários desde os primeiros momentos de vida do bebê.

Como é a cirurgia de atresia de esôfago?

A cirurgia de atresia esofágica é o único tratamento para corrigir essa malformação e permitir que o bebê possa se alimentar normalmente. Trata-se de uma cirurgia altamente especializada, realizada nos primeiros dias ou semanas de vida, a depender da condição clínica do recém-nascido e do tipo de atresia esofágica.

Bebês que nascem com esta condição não podem se alimentar com leite materno ou fórmulas. Por isso, logo após o parto, eles recebem manejo especial até a cirurgia ser realizada, sendo importante que a maternidade possua uma UTI Neonatal e uma equipe de cirurgia pediátrica qualificada e preparada para a intervenção cirúrgica.

A alimentação oral é suspensa e uma sonda nasogástrica é colocada para impedir o acúmulo de saliva e ar no esôfago, reduzindo o risco de aspiração. Essa etapa faz parte do procedimento pré-cirúrgico. Além disso, são realizados exames complementares para avaliar o quadro clínico e a presença de outras possíveis malformações associadas.

O momento ideal para a realização da cirurgia de atresia de esôfago varia conforme o estado de saúde do bebê. Em casos de prematuridade extrema, pneumonia aspirativa, infecção ou instabilidade clínica, pode ser necessário adiar o procedimento. 

Nesses casos, é feita uma gastrostomia (abertura no estômago para inserir uma sonda que se comunica com o estômago) para evitar o refluxo de conteúdo gástrico e garantir a nutrição até que a cirurgia definitiva possa ser realizada.

Técnicas utilizadas

A cirurgia de atresia de esôfago pode ser realizada por duas principais técnicas cirúrgicas: a toracotomia e a toracoscopia. Ambas têm como objetivo reconstruir o esôfago e, quando necessário, fechar a fístula traqueoesofágica.

A toracotomia (cirurgia aberta) é o método tradicional e mais amplamente utilizado. Nessa técnica, é feita uma incisão na lateral do tórax, entre as costelas, para que o cirurgião pediátrico tenha acesso direto às estruturas do esôfago e da traqueia.

Esse método oferece excelente visualização e controle anatômico, sendo especialmente indicado em casos em que há grande distância entre os segmentos do esôfago ou em bebês com outras malformações associadas.

Já a toracoscopia é uma abordagem menos invasiva, realizada por meio de pequenas incisões, pelas quais são inseridas uma câmera e instrumentos cirúrgicos delicados. Essa técnica tem sido cada vez mais adotada por centros especializados. Isso porque reduz o trauma cirúrgico, causa menos dor no pós-operatório, favorece a recuperação mais rápida e deixa cicatrizes menores. 

A escolha da técnica para a cirurgia de atresia esofágica depende de fatores como o tipo e anatomia da malformação, a estabilidade clínica do bebê, a presença de outras condições associadas e a experiência da equipe cirúrgica e estrutura hospitalar. Ambas as técnicas são seguras e eficazes quando realizadas por profissionais especializados.

Pós-cirúrgico

Após a cirurgia de atresia de esôfago, o bebê permanece na UTI neonatal sob observação. Assim, a equipe médica monitora sua função respiratória, o processo de cicatrização e a aceitação alimentar.

Antes de o bebê receber alta do hospital, é feito um exame com contraste para garantir que a cirurgia deu tudo certo. Nesse teste, o recém-nascido ingere uma solução diluída que permite visualizar, por imagem, se a união feita entre as partes do esôfago está funcionando bem. Aqui, o objetivo é ter certeza de que não há vazamentos ou bloqueios na região operada.

Mesmo após a alta, o bebê deve seguir em acompanhamento com o cirurgião pediátrico. Isso é importante para observar se há sinais de complicações, como refluxo gastroesofágico, estenose (estreitamento do esôfago) ou dificuldades de deglutição. Em alguns casos, podem ser necessárias dilatações esofágicas ou novos procedimentos complementares.

A recuperação completa varia de acordo com a complexidade da cirurgia, mas com o tratamento adequado, muitos bebês se desenvolvem normalmente e conseguem se alimentar sem restrições ao longo do crescimento.

Cirurgias de atresia de esôfago e malformações congênitas com o Dr. Felippe Flausino

A cirurgia de atresia de esôfago exige preparo técnico, estrutura hospitalar adequada e, principalmente, um cirurgião pediátrico experiente. Por isso, estou aqui para proporcionar uma cirurgia pediátrica segura com foco no atendimento humanizado e no acompanhamento completo de bebês com malformações congênitas.

Se você recebeu um diagnóstico de atresia esofágica durante a gestação ou após o nascimento de seu neném, entre em contato comigo. Com experiência, empatia e responsabilidade, eu e minha equipe estamos prontos para acolher sua família e oferecer o tratamento cirúrgico mais seguro e eficaz para o seu bebê. Você também pode me encontrar no Instagram ou Facebook.

Felippe Flausino

Dr. Felippe Flausino

MD, M.Sc. Cirurgião Pediátrico (CRM19161 RQE13289) e membro da Associação Brasileira de Cirurgia. Doutorando em Ciências Médicas pela UFSC