Cirurgia pediátrica de enterocolite: quando o bebê precisa passar pela intervenção?

26/10/26

A cirurgia de enterocolite pode ser necessária em casos graves da doença, especialmente quando há comprometimento importante do intestino. A indicação depende da causa da inflamação, da extensão das lesões e da resposta ao tratamento clínico.

Entre as condições que podem exigir cirurgia está a enterocolite necrosante, que afeta principalmente recém-nascidos prematuros e com muito baixo peso ao nascer. A doença pode provocar lesões na parede intestinal e, nos quadros mais graves, levar à morte de segmentos do intestino. Também pode ocorrer em bebês nascidos a termo, embora seja menos comum neste grupo.

O tratamento varia conforme a gravidade do quadro. Entenda como a doença é tratada e em quais situações a cirurgia pediátrica pode ser necessária.

Quais são as causas da enterocolite e como ela afeta os bebês?

A causa exata da enterocolite necrosante ainda não é totalmente conhecida. A doença está associada a diferentes fatores, incluindo a imaturidade intestinal, alterações na circulação sanguínea do intestino e desequilíbrios na microbiota intestinal. Esses fatores podem contribuir para o desenvolvimento da inflamação e das lesões intestinais.

Os recém-nascidos prematuros apresentam maior risco porque o intestino ainda está em desenvolvimento e suas barreiras de proteção são menos maduras. A doença também pode afetar bebês nascidos a termo, especialmente quando existem condições de saúde associadas, como cardiopatias congênitas.

Entre os principais fatores de risco estão:

  • Prematuridade e baixo peso ao nascer, especialmente abaixo de 1.500 gramas;
  • Cardiopatias congênitas e outras condições que podem comprometer a circulação sanguínea intestinal;
  • Alterações na colonização das bactérias que vivem no intestino;
  • Redução do fluxo sanguíneo e da oxigenação dos tecidos intestinais.

Os sintomas variam conforme a gravidade da doença. Entre os sinais mais comuns estão o aumento do volume abdominal, a dificuldade para tolerar a alimentação, os vômitos e a presença de sangue nas fezes. O bebê também pode apresentar letargia, ou seja, ficar menos ativo e mais sonolento que o habitual.

Como a doença pode evoluir rapidamente, o reconhecimento dos sinais e a avaliação médica são fundamentais para iniciar o tratamento adequado.

Tratamento para enterocolite necrosante

Nem todos os bebês com enterocolite necrosante precisam passar por uma cirurgia. O tratamento inicial costuma ser clínico, com medidas para controlar a inflamação, tratar possíveis infecções e permitir a recuperação do intestino. Segundo o Merck Manual, muitos recém-nascidos podem se recuperar com essas medidas, enquanto os casos com complicações graves podem exigir intervenção cirúrgica.

Uma das primeiras medidas é interromper temporariamente a alimentação pela boca ou por sonda, para reduzir o esforço do intestino. Também pode ser colocada uma sonda no estômago para retirar o ar e os líquidos acumulados, ajudando a aliviar a distensão abdominal.

O bebê recebe líquidos, nutrientes e antibióticos pela veia, conforme a necessidade clínica. Durante o tratamento, a equipe acompanha de perto sua evolução, com exames de sangue, radiografias abdominais e avaliações clínicas frequentes para identificar possíveis complicações.

Nos casos mais graves, pode ser necessário manter o bebê na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), onde ele recebe suporte especializado e monitoramento contínuo.

Quando a cirurgia de enterocolite é necessária?

A cirurgia pode ser necessária quando a enterocolite necrosante provoca lesões intestinais graves. A perfuração do intestino é uma das principais indicações do procedimento. A intervenção também pode ser considerada quando há suspeita de necrose intestinal ou piora persistente do quadro, mesmo com o tratamento clínico.

Nessas situações, o objetivo é remover os segmentos intestinais que sofreram danos irreversíveis e preservar o máximo possível de tecido saudável.

Conforme as condições do bebê e a extensão das lesões, o cirurgião pode criar uma ostomia, uma abertura na parede abdominal que permite a saída das fezes para uma bolsa coletora. Essa alternativa pode ser utilizada quando não é possível reconectar as partes saudáveis do intestino naquele momento.

O fechamento da ostomia pode ser considerado posteriormente, após a recuperação do bebê e quando houver condições clínicas e cirúrgicas para uma nova intervenção.

Como é a cirurgia pediátrica de enterocolite

Quando a enterocolite necrosante exige cirurgia, uma das abordagens possíveis é a laparotomia exploratória, procedimento em que o cirurgião acessa o abdômen para avaliar a extensão das lesões intestinais e definir a conduta mais adequada. Em bebês muito instáveis, a drenagem abdominal pode ser considerada como alternativa inicial em situações específicas.

O objetivo da cirurgia é remover os segmentos intestinais que sofreram danos irreversíveis e preservar o máximo possível de tecido saudável. A abordagem depende da extensão das lesões e das condições clínicas do recém-nascido.

Após a retirada dos segmentos comprometidos, existem duas possibilidades principais para lidar com as partes saudáveis do intestino:

  • Anastomose: reconexão das extremidades intestinais para restabelecer a continuidade do intestino. Essa opção depende das condições dos tecidos e da estabilidade clínica do bebê.
  • Ostomia temporária: criação de uma abertura na parede abdominal para permitir a eliminação das fezes por uma bolsa coletora. Pode ser necessária quando a reconexão imediata não é considerada adequada.

Em quadros com comprometimento intestinal extenso ou dúvidas sobre a viabilidade de determinados segmentos, a equipe pode planejar uma nova avaliação cirúrgica nas 24 a 48 horas seguintes. Essa abordagem permite verificar a evolução das áreas afetadas e decidir se são necessárias outras intervenções.

A recuperação após a cirurgia varia conforme a gravidade da doença, a extensão do intestino afetado e as condições clínicas do bebê. Por isso, o acompanhamento neonatal e os cuidados pós-operatórios são fundamentais durante a internação e após a alta.

Cirurgia pediátrica de enterocolite necrosante com o Dr. Felippe Flausino

Receber o diagnóstico de enterocolite necrosante em um bebê pode trazer muitas dúvidas e inseguranças para a família. Entender as possibilidades de tratamento e as etapas do cuidado ajuda os pais a acompanhar as decisões da equipe médica.

Se seu bebê recebeu esse diagnóstico ou precisa de avaliação cirúrgica, agende uma consulta comigo. Vou avaliar o caso, explicar as possibilidades de tratamento e orientar você sobre os próximos passos.

Felippe Flausino

Dr. Felippe Flausino

MD, M.Sc. Cirurgião Pediátrico (CRM19161 RQE13289) e membro da Associação Brasileira de Cirurgia. Doutorando em Ciências Médicas pela UFSC