Ostomia pediátrica: quando a criança precisa fazer

26/10/26

A ostomia pediátrica pode ser indicada em casos de malformações congênitas, doenças intestinais, traumatismos, tumores e outras condições que comprometem o funcionamento do intestino ou do sistema urinário.

Embora a indicação possa gerar preocupação nos pais, o procedimento permite desviar temporariamente ou de forma definitiva a eliminação de fezes ou urina, conforme a necessidade de cada criança. Essa medida pode proteger o organismo e favorecer o tratamento da condição que levou à cirurgia pediátrica.

Em algumas situações, a ostomia é temporária e pode ser revertida após a recuperação da criança, quando há condições clínicas para realizar a reconstrução. Continue a leitura para entender quais situações podem levar à indicação do procedimento.

O que é ostomia e quais são os tipos

A ostomia é um procedimento cirúrgico que cria uma abertura no corpo para permitir a eliminação de fezes ou urina por um caminho diferente do habitual. Essa abertura recebe o nome de estoma, e a eliminação é coletada em uma bolsa específica, conforme o tipo de ostomia.

O nome do procedimento varia de acordo com a região envolvida. A colostomia conecta o intestino grosso à parede abdominal, enquanto a ileostomia utiliza o íleo, a parte final do intestino delgado. Já a urostomia permite a eliminação da urina por uma abertura criada cirurgicamente.

A escolha do tipo de ostomia depende da condição clínica da criança, da região afetada e do objetivo da cirurgia. Por isso, a indicação deve ser individualizada pelo cirurgião pediátrico.

Quando é necessário fazer uma ostomia pediátrica

A ostomia pediátrica pode ser indicada quando uma malformação, doença ou lesão compromete a eliminação de fezes ou urina e exige uma via alternativa. A necessidade do procedimento varia conforme a condição clínica, a gravidade do quadro e o planejamento do tratamento.

Conheça algumas situações em que a ostomia pode fazer parte da abordagem médica.

Ânus imperfurado

O ânus imperfurado é uma malformação congênita em que a abertura anal não se forma adequadamente. Isso pode impedir ou dificultar a eliminação das fezes.

Em determinadas situações, a colostomia é realizada para permitir a saída das fezes enquanto a criança aguarda a cirurgia de correção. A indicação depende das características da malformação e do planejamento cirúrgico.

Doença de Hirschsprung

Na doença de Hirschsprung, faltam células nervosas em um segmento do intestino, o que compromete os movimentos que conduzem as fezes pelo órgão. Essa alteração pode provocar obstrução intestinal.

Quando o quadro exige uma intervenção em etapas, a ostomia pode ser utilizada para desviar o trânsito intestinal antes da cirurgia definitiva. Essa conduta é avaliada conforme a extensão da doença e as condições clínicas da criança.

Doença Inflamatória Intestinal

A doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, também chamada de colite ulcerativa, são doenças inflamatórias intestinais que podem comprometer diferentes segmentos do trato digestivo.

Em casos graves, a ostomia pode ser indicada quando há complicações que exigem cirurgia ou quando é necessário desviar o trânsito intestinal durante o tratamento. A decisão considera a extensão do comprometimento intestinal e a resposta às outras abordagens terapêuticas.

Enterocolite neonatal necrosante

A enterocolite necrosante é uma doença grave que afeta principalmente recém-nascidos prematuros. Ela provoca inflamação e pode causar lesões importantes na parede intestinal, inclusive a morte de segmentos do intestino.

Quando há comprometimento grave, pode ser necessária uma cirurgia para remover o tecido afetado. A ostomia pode ser criada para desviar o trânsito intestinal enquanto o bebê se recupera, com possibilidade de reconstrução posterior conforme sua evolução clínica.

Espinha bífida

A espinha bífida é uma malformação congênita que pode afetar estruturas do sistema nervoso responsáveis pelo controle do intestino e da bexiga. Por isso, algumas crianças apresentam dificuldades para eliminar as fezes ou a urina.

Na maioria desses casos, existem outras estratégias de manejo. Em situações específicas, porém, uma ostomia intestinal ou uma derivação urinária pode ser considerada quando as alterações são importantes e outras medidas não são suficientes. A escolha depende de uma avaliação individualizada.

Traumatismos, acidentes e tumores

Lesões graves no abdômen podem danificar o intestino ou comprometer estruturas do sistema urinário. Em algumas situações, a ostomia é necessária para desviar a eliminação de fezes ou urina e permitir o tratamento das áreas afetadas.

Tumores também podem exigir o procedimento quando a cirurgia ou a própria doença compromete o trânsito intestinal ou a eliminação urinária. A ostomia pode ser temporária ou definitiva, conforme a extensão da lesão, o tratamento realizado e a possibilidade de reconstrução.

Como a ostomia atua no organismo da criança?

A ostomia cria uma abertura na parede abdominal que permite a eliminação de fezes ou urina por uma via alternativa. Dependendo do procedimento, o trânsito intestinal ou urinário é desviado para uma bolsa coletora, evitando a passagem pela região que precisa ser protegida ou tratada.

Essa mudança pode ajudar na recuperação de tecidos lesionados, contornar uma obstrução ou permitir que uma área operada cicatrize antes de uma nova intervenção. Em alguns casos, a ostomia também faz parte do planejamento de uma cirurgia realizada em etapas.

A necessidade e a finalidade do procedimento variam conforme a condição clínica da criança.

A ostomia vai durar para sempre?

Não necessariamente. A ostomia pode ser temporária ou definitiva, conforme a doença que levou à cirurgia, as condições clínicas da criança e a possibilidade de reconstrução.

Em casos de ânus imperfurado, doença de Hirschsprung ou enterocolite necrosante, por exemplo, o fechamento pode ser considerado após o tratamento da condição inicial e a recuperação da criança. Isso não significa, porém, que todas as crianças com esses diagnósticos poderão realizar a reversão.

O momento adequado para o fechamento também varia. O cirurgião pediátrico avalia a evolução clínica, a cicatrização e os cuidados pós-operatórios, bem como as condições necessárias para realizar a reconstrução com segurança antes de definir os próximos passos.

Cirurgias pediátricas com Dr. Felippe Flausino

Receber a indicação de uma ostomia para um filho pode ser difícil para a família. É natural que surjam dúvidas sobre a necessidade da cirurgia, os cuidados no dia a dia e as possibilidades de reversão.

Se seu filho ou filha precisa de avaliação para uma ostomia ou já recebeu essa indicação, agende uma consulta comigo. Vou avaliar o caso, explicar as possibilidades de tratamento e ajudar você a compreender as próximas etapas do cuidado.

Felippe Flausino

Dr. Felippe Flausino

MD, M.Sc. Cirurgião Pediátrico (CRM19161 RQE13289) e membro da Associação Brasileira de Cirurgia. Doutorando em Ciências Médicas pela UFSC